Homofobia

Sobre salto e quebra de esteriótipos

O que “fere” a figura masculina de um homem? Alguns diriam que um simples cruzar de pernas, uma unha bem feita, ou até mesmo um salto alto plataforma 15 acompanhado de bijus e pulseiras extravagantes. ERRADO!

Recentemente fui convidado para fazer umas fotos para colaborar com umas amigas que estão montando e vendendo umas miçangas, e um dos elementos da foto seria utilizar um salto alto. Pasmem! Confesso que fiquei bastante animado, quem me conhece sabe o quão excêntrico eu sou, o que muitos caracterizam como “aparecido”. Contudo, não pensei a fundo sobre o significado que essa ação poderia carregar.

Enfim, voltamos ao verdadeiro motivo de escrever este texto. Postei essa foto nas minhas redes sociais e foi incrível a repercussão que ela gerou. Comentários muito positivos e a visibilidade da causa que acabou sendo em prol das mulheres e da comunidade LGBT foi graciosa pra mim.

A foto surgiu como propósito de promover as miçangas criadas pela recente loja de umas amigas (Verbena). Contudo, avistei na figura retratada, sendo esta eu, masculino, com roupas genéricas, de salto e bijuterias criadas para o público feminino, uma importante montagem para dar visibilidade as mulheres, as trans finíssimas, as travestis, as drags e a todos e qualquer um que usam o salto alto para variados sentidos e, não só por isso, são vítimas de uma sociedade escrota que não sabe respeitar o próximo como ele é.

VerbenaAssim como as mulheres reproduzem o machismo, muitas vezes até sem saber, existem também gays, lésbicas, bissexuais e transexuais que são preconceituosos e verbalizam a homofobia em seu discurso. E com essa foto eu consegui visualizar isso nitidamente. Precisamos quebrar todo e qualquer tipo de estereótipo e parar de generalizar valores e estilos de vida a partir de objetos. Gosto realmente não se discute, porém todo mundo tem o dever de respeitar os -gostares- alheio, sem ficar julgando, rotulando e propagando discurso de ódio ou repúdio apenas porque alguém escolhe se montar como uma drag, ou se a pessoa é a mais fechativa na balada, ou se fulano de tal fica com homem e com mulher, ou um milhão de coisas não só no meio LGBT, como em todo em qualquer situação e grupo social. Maaan, você tem obrigação de entender o que é respeitar alguém, merda!

Alguns me chamaram no chat do facebook para perguntar quando eu iria começar a me montar, como que eu iria realizar a minha transformação e etc. Migues, não! Eu vi uma galera de mente fechada que sorrateiramente associaram o salto a muitas figuras representativas femininas como se isso fosse algo ruim. Eu sempre me questionei qual o problema de nós homens usarmos esmalte, ou então porque não sairmos de saia, vestido, salto? São produtos, industrialmente falando, criados para mulheres, mas isso não significa que homens não podem usar. Significa?

Um simples objeto, um acessório criado, esquematizado e destinado culturalmente e industrialmente para o público feminino, não significa que caso um homem use, ele está necessariamente “gritando” para a sociedade que ele quer ser uma mulher, que ele quer andar como uma mulher, ou o caralho a quatro que for, até porque não vejo problema em alguém ser o que quiser ser.

Agradeço a @deus que me fez com uma mente tão aberta e que a opinião pública sobre determinados temas e assuntos me atinge em 0 momentos, mas me incomoda pelo pensamento moldado que a galera que deveria se abrir mais para o conhecimento do próprio meio social (Porque, né?! Defender a sua causa é importante amiguinhos) tem e compartilha, e recrimina, e julga, e sufoca, e não suporta, e agride.

Então meninos e meninas, felizes e tristezas, olha para o umbigo do cês e cuidar dele. O ser humano tem que compreender que não cabe a ele rotular ninguém. Vamos parar de perder o nosso precioso tempo apontando dedo, criticando, julgando valores e falando coisas que são desnecessariamente ridículas, e invés disso, colaborar com meio nas causas e lutas sociais em prol de uma sociedade igualitária com respeito e amor. Talvez assim nossa geração “textão no facebook” possa acrescer algo nessa sociedade. Bjs!

étreintes,
Bruce Lourenço.

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